Por que as pessoas perderam o medo da Covid-19 mesmo no pico da pandemia?

Por Paulo Sergio 07/06/2021 - 11:57 hs

Mesmo neste momento, o mais agudo da pandemia de Covid-19 no país até agora, com recorde de casos e de mortes diárias e num estágio em que quase todo mundo conhece alguém que morreu por causa da doença, proliferam comportamentos que atentam contra a própria chance de sobrevivência.

Máscaras são deixadas no queixo, no bolso ou em casa, visitas a amigos ou familiares ganham espaço na agenda e bailes e festas clandestinas atraem pessoas, apesar da orientação estrita para que aglomerações sejam evitadas.Nem imagens e relatos de pessoas padecendo em UTIs, muitas vezes intubadas e sujeitas a complicações como sepse e sequelas neurológicas, conseguem inibir completamente essas atitudes.Em Lavras da Mangabeira, após decreto de Lockdown por uma semana em todo território lavrense e abertura gradual e restritiva de atividades essenciais, limitando o comércio a 30% de sua capacidade para atendimento presencial, a população parece não ter entendido o chamado de atenção das autoridades municipais ligadas a saúde e vieram a sede do município, lotando Casa Lotérica, Postos de Atendimentos Bancários e Agências Bancárias.O governo municipal tentando conter aglomeração colocou fiscais espalhados nos locais na tentativa de fazer com que o distanciamento social seja respeitado.Equipes de fiscalização intensificaram o trabalho para também tentar conter possíveis abusos em comércios.Curiosamente, o cérebro humano é ótimo em perceber e processar novidades, mas se habitua com um estímulo que se repete. A exceção é a dor, mas só aquela sentida em si mesmo — com a dor alheia, o cérebro consegue, sim, se acostumar. Daí o fenômeno de a dor representada em fotos e vídeos terem perdido impacto ao longo dos meses.

As medidas só serão eficazes se a população segui-las. A resposta seria melhor se o povo continuasse respeitando e obedecendo as regras de higiene, distanciamento social e o uso de máscaras.